Afinal, o que é a felicidade?10/3/2015 A felicidade é algo que todos nós queremos, certo? No entanto será que temos a ideia certa do que é ser feliz? Temos tendência a considerar a felicidade como uma sensação de euforia proveniente de acontecimentos excitantes. Aqueles acontecimentos que geram picos de adrenalina e que nos fazem rir alto e querer partilhar essa sensação com o mundo. Mas tal como o pico de adrenalina, essa sensação passa rápido e não a conseguimos agarrar por muito tempo, deixando-nos a seguir vazios e cansados. Pelo que procuramos de imediato outra coisa e outra que nos faça sentir assim de novo. Será que a felicidade é isso? O que será então a felicidade? A felicidade em si é um estado de bem estar contínuo, uma sensação de estabilidade que não depende de factores externos, e que pode existir independentemente dos eventos que nos cercam, por mais turbulentos que sejam. É um sentimento que uma vez sabendo que comportamentos devemos adoptar para o conhecer, será cada vez mais fácil de a manter e até mesmo de a conseguir transmitir a quem está à nossa volta! Conexão é um dos primeiros passos a aprender. O valor de estarmos conectados é exaltado em artigos de saúde e bem estar um pouco por todo o lado: emocional, física, sexual, mental, social e espiritualmente, a conexão com o que nos rodeia é muito importante. Quando temos o amor de um animal de estimação, quando fazemos amor, quando saímos com os nossos amigos, quando passeamos pelo parque, conectamo-nos com o mundo que nos rodeia e passamos a fazer parte do todo. Um destes benefícios é "químico" - o nosso cérebro produz mais oxytocina, que é uma hormona que nos induz um estado de felicidade natural. Quanto maior for a nossa sensação de conexão e pertença maior será o nosso estado de bem estar. Quando sair de casa não se limite a ir do ponto A ao ponto B, permita-se reparar no que o rodeia - sorria à pessoa que se cruzou consigo no passeio, sinta o ar a tocar-lhe na cara e no cabelo, oiça os pássaros a cantar nas árvores mais próximas, deixe que a sua mente se habitue à ideia de que também faz parte desse meio. Estar só também ajuda a sentir-se conectado. Aprender a desfrutar da nossa própria companhia vai-nos ensinar a trazer o melhor de nós ao de cima, e a mostrá-lo quando estamos com os outros. Passar tempo connosco próprios ajuda a repor energias e relembrar-nos quem verdadeiramente somos. Meditação, passeios pela natureza e contemplação, são alguns exercícios que devemos praticar com regularidade para aprendermos a estar sozinhos e a olhar para dentro, a encontrar dentro de nós todas as coisas que nos podem fazer felizes, e ao saber que elas se encontram dentro de nós, deixamos também de as procurar noutras coisas e noutras pessoas, tornamo-nos mais completos. Saber apreciar o Aqui e Agora. Temos sempre a tendência de nos focarmos mais nas dificuldades da nossa vida do que nas coisas que correm bem, o que nos leva a um constante sentimento de mau estar e desconforto. Quando começamos a aprender a apreciar o momento presente, inevitavelmente vamos aprender a apreciar as pequenas coisas da vida. Pratique uma atitude de gratidão para com a vida e o que ela lhe traz, aprenda a ser grato por ter acordado de manhã, pelo sol brilhar, ou até mesmo pela chuva cair, por ter ar para respirar! Quando conseguimos desviar a mente do que "não está bem" vamos abrir as portas à sensação de bem estar com o que nos rodeia, e atrás dessas pequenas coisas que nos fazem sentir bem virão outras mais. O poder da Generosidade. Um espírito generoso pode ter várias formas: ajudar alguém a combater uma depressão, mostrar bondade para com um estranho, ajudar na limpeza do ambiente, ensinar uma criança a ler... seja o que for que nos faça sair do nosso caminho do dia a dia para partilhar algum do nosso tempo e da nossa essência com outro ser (pessoa, animal, vegetal). Quando aprendemos a partilhar um pouco de nós mesmos, a nossa compreensão pelo mundo e pela vida aumenta, e consequentemente aumenta o nosso bem estar e equilíbrio interior. Perante a incerteza a Aceitação. O caminho para o bem estar, que é a base para a felicidade constante, é um trilho que requer dedicação, paciência e resiliência. Requer que aprendamos a aceitar que por vezes o que é esperado não acontece, mas que o inesperado sim, que isso umas vezes é doloroso mas que outras é uma agradável surpresa. A Aceitação não tem uma fórmula instantânea, é algo que temos de cultivar e aprender a cuidar, dá trabalho. A nossa sociedade ensina-nos a ter gratificação instantânea pelo que fazemos, que a riqueza, os bens materiais e a juventude eterna são as chaves para a felicidade - quantos de nós o conseguimos alcançar? Será que a felicidade é algo destinado a um grupo restrito? Felizmente as pesquisas dizem-nos que não, dizem-nos que se aprendermos a estar ligados ao que nos rodeia e a não nos deixar dominar só pelo que nos assusta e pelas incertezas da vida, vamos saber encontrar a verdadeira felicidade, que vem de dentro e que nos completa por si só, pois a felicidade sincera não precisa de muletas ou acompanhamentos. A felicidade é isso: uma sensação interna de bem estar e tranquilidade constante, a sensação de pertença a este mundo e ao que dele faz parte e a capacidade de desfrutar de pequenos prazeres sabendo que tudo é incerto, mas aceitando-o! |